domingo, 17 de março de 2013

Por onde anda a minha mente

Plan of Toshiba San Francsico

Plan of Second Hand Bykes San Francisco

Plan of Opthalmologists San Francisco

Plan of Music Shops San Francisco. (A minha favorita é a A, Amoeba Music. E não sou o único.)


(Não há mapa para "Bookstores San Francisco").



sexta-feira, 15 de março de 2013

Falmouth Harbour, Antígua e Barbuda, 15-03-13 / II

Um tema que me é caro: a hierarquia, o respeito, a obediência. Um marinheiro só reconhece uma hierarquia: a do saber; e só respeita quem merece ser respeitado - a quem não merece o mar encarrega-se rapidamente de pôr no seu lugar.

Nem hoje, com a disciplina a bordo muito mais institucionalizada do que no séc. XVII, um capitão faz o que quer da sua tripulação se não for por ela amado e respeitado. Em contrapartida, se o for é capaz de os levar a fazer tudo e mais alguma coisa, não há à face da terra ser mais leal do que um marinheiro.

As razões para isto são óbvias: o mar não se compadece com hierarquias baseadas em nomes, títulos, aldrabices ou seja o que for que não seja saber. E a sobrevivência depende do grupo, nunca de um indivíduo só.

A este respeito encontrei hoje duas passagens num livro que estou a ler, chamado The Command of the Ocean, A Naval History of Britain, 1649 - 1815.

O livro é monumental, em todos os sentidos do termo. Muito gostaria eu de ter uma coisa semelhante  em e sobre Portugal.

"Contemporaries were far more impressed by the Navy's relaxed, not to say chaotic discipline. By modern standards the authority of a sea officer was weak, and ships functioned at sea on an implicit basis of co-operation and consent which sprang from the experience of seamen bred from boyhood to the necessity of teamwork for survival."

" ...but he had wrecked the system of mutual respect on which all naval discipline ultimately rested."

Falmouth Harbour, Antígua e Barbuda, 15-03-13

Numa indústria que conta notoriamente poucos portugueses ontem encontrei dois, o P. e o C. Ambos trabalharam apara mim no início das suas carreiras. P. é hoje capitão de um veleiro de 33 m; C. é o imediato dele, mas tem uma longa história de comandos tanto de barcos a motor como de barcos à vela. Como bons portugueses andam às turras e C. vai desembarcar e voltar para Maiorca, onde vive com a mulher e as duas filhas. Os portugueses são os piores inimigos de si próprios.

Foi um prazer, mas não só: ontem o orgulho deu uma voltinha por aqui.

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"Cada dia que te vejo estás melhor", diz-me B., do Seabreeze. E termina, em simultâneo comigo: "está mais perto".

quinta-feira, 14 de março de 2013

Falmouth Harbour, Antigua e Barbuda, 14-03-13

Daqui a precisamente uma semana (se não houver atrasos, claro) estarei a embarcar no avião que me levará para San Francisco. Estou tenso, impaciente, nervoso; sinto-me como aquelas plantas submarinas que estão presas a uma rocha e se agitam com a corrente, como se pedissem ao deus delas que as libertasse, as deixasse ir.

Uma semana é um marco importante. A partir de agora faltam dias; a unidade inferior será a hora. Nunca pensei que quereria tanto deixar Antígua; (e não quero, preferiria de longe ter encontrado aqui um emprego que me permitisse parar um bocadinho). Mas não encontrei; resta-me esperar não ter perdido com a troca.

Antígua não é um país no qual se possa passar muito tempo sem fazer nada. Para além de procurar day work - uma coisa que me leva cerca de uma hora todas as manhãs (enfim, as manhãs em que o procuro) - não faço mais nada. Vou à praia, de que não sou grande fâ; às cinco da tarde bebo o meu primeiro rum punch no Mad Mongoose (hoje foi uma excepção, mas tinha um pedido de uma amiga, daquelas a quem não se pode dizer não). Ando uma hora por dia. Leio muito, muito.

Nada.

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Ontem houve uma festa na praia. Em Antígua há festas todos os dias - dock parties, beach parties, theme parties, WTF parties. Não sou muito de parties, mas o de ontem foi agradável. Pelo menos o pouco tempo que lá passei: o pôr-do-sol estava lindo, o grupo de pessoas pequeno e simpático, a música ao vivo conhecida e um pouco repetida, mas como sempre bem executada pelos Fruto de la Manga.

Mas vim-me embora cedo. Ando com pouca paciência para festas, para a alegria e conversa de circunstância.

Daqui a uma semana ressuscito.

domingo, 3 de março de 2013

Jako, Falmouth Harbour





Falmouth Harbour, Antígua e Barbuda, 03-03-2013

Pela primeira vez em muito tempo Falmouth Harbour voltou a ser um lugar. Perdeu a qualidade de não-lugar. É um sítio do qual me quero ir embora o mais depressa possível, mas é um sítio (e ao qual espero voltar, claro, um dia de menos vento).

Dia 22 vou para San Francisco. De lá largo para Quepos, na costa Oeste da Costa Rica, onde conto estabelecer-me por uns anos. O projecto - lançar uma empresa de charter e de eventos empresariais - é apaixonante, e eu espero sinceramente conseguir apaixonar-me por ele.