quinta-feira, 12 de abril de 2012

São Luís, Maranhão, Brasil, 12-04-2012

Abril não é só "o mês mais cruel", é também o mais chuvoso aqui em São Luís. Hoje ao princípio da tarde caiu mais um desses aguaceiros que em minutos inunda a cidade, e nos faz pensar que o senhor das comportas se enganou. Estava no banco - o dinheiro chegou, finalmente, é outra chuva -; parecia que o tecto se preparava para desabar. E não fui de certeza o único a pensá-lo, porque vi várias pessoas a olhar para cima. Mas o Banco do Brasil é uma instituição sólida e não ruiu.

São Luís gosta de se considerar como a "Atenas do Brasil" - cidade cultural, artística, etc. - e a sua arte de eleição é, aparentemente, o teatro. Digo aparentemente porque a peça que fui ver hoje teve algumas dificuldades para encontrar financiamento, e não deve ser a única: "Este projeto é acima de tudo uma mostra de persistência de artistas maranhenses em produzir numa cidade dominada pelo marasmo artístico e cultural e pela falta de incentivos públicos".

Saí do teatro enregelado: havia pouca gente na sala e o ar condicionado estava demasiado forte. A peça era fracota. Podia ser melhor, mas precisaria de algum trabalho na estrutura dramática. Havia algumas coisas giras, mas o desenrolar da acção era frequentemente ilógico, inverosímil ou os dois. De quem gostei muito foi da actriz, Keyla Santana. Não tem um jogo particularmente contido, mas é bastante equilibrado, nada cabotino. O seu parceiro, Roberto Fróes, é mais fraco - pelo menos neste papel. A corrente não passa, a representação salta-lhe por tudo quanto é poro. Contas feitas não dei os trinta reais por mal empregues. Por muito Atenas que São Luís queira ser acaba por ser uma cidade chata, da qual só me reconheço no Reviver e na AVEN, o que é manifestamente pouco. E não terei tempo de aprofundar muito, em breve estarei de partida.

Mas antes disso terei cá a minha filha, que está no Recife a trabalhar como voluntária por uns meses numa instituição de ajuda a crianças desfvorecidas (e, acessoriamente, a descobrir a inutilidade de pelo menos uma dessas instituições; ou que não é com aspirinas que se tratam tuberculoses) e vem cá passar uns dias a ajudar o pai, que a graça é um excelente remédio, fonte de paciência e de relativização.

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